CARTA DE PRINCÍPIOS
Vivemos um momento crucial na defesa e valorização dos direitos e deveres dos nossos autores, compositores, criadores e utilizadores de música em Portugal.
O meio musical enfrenta um desafio que despertou a urgência de unir forças para defender os direitos e interesses de todos aqueles que, com o seu talento e trabalho, engrandecem o panorama cultural do nosso país.
Face à recente discussão pública em torno da valorização dos editores e dos autores, estabeleceu-se a importância de se criar uma voz comum, forte e determinada, que represente os interesses de toda a nossa classe e que lute por um ecossistema musical equilibrado, justo e moderno.
Esta carta de princípios representa um apelo à união, ao posicionamento claro e à construção de uma nova cultura de valorização e respeito mútuo entre todos os sectores do meio musical português.
14 Novembro 2024
#1. Valorização dos Autores e da Criação Original
A criação musical é um património cultural inestimável, um pilar essencial da cultura e merece um reconhecimento constante.
Cada obra representa o esforço e o talento de quem se dedica à arte de criar e compor. A importância da aquisição de materiais originais, incentivando o respeito pelo trabalho autoral, protegendo-o e valorizando-o como parte essencial da nossa identidade cultural deve ser promovido como forma de assegurar o desenvolvimento contínuo da nossa arte.
#2. Valorização dos Intérpretes
A importância do intérprete é proporcional à do autor. Ambos são cúmplices e interdependentes na valorização do património artístico, desempenhando a mesma missão de defesa da cultura e dos seus protagonistas.
O intérprete é responsável por fazer a ponte entre o criador e o público, nomeadamente quando preserva a herança artística e quando promove novas criações. Aqui, cabem todos aqueles que têm por missão contribuir para a nossa cultura. Desde as organizações de cariz Associativo e Sócio-Educativo (Bandas Filarmónicas, Coros, Ensembles e Orquestras), às de estatuto Académico (Escolas do Ensino Artístico Especializado, Profissionais Artísticas ou Escolas Superiores de Música) e as de nível Profissional (Bandas Militares, Orquestras, Coros, Agrupamentos e intérpretes individuais).
#3. Pela Observância da Lei e pela sua Atualização
Afirmamos o nosso compromisso no respeito pela Lei e rejeitamos qualquer tentativa de a deturpar ou instrumentalizar de forma punitiva e desequilibrada. A lei deve ser uma salvaguarda para os editores e para os autores e não um instrumento de opressão ou de lucro desmedido.
A modernização da legislação é necessária para que responda aos desafios contemporâneos, protegendo tanto os direitos dos autores como dos utilizadores.
É imperativo que a Lei seja revista e atualizada à luz das novas tecnologias, acomodando a utilização de cópias de trabalho e formatos digitais.
Defendemos que a sua clarificação e atualização deverá servir de forma justa todos os agentes e fomentar um ambiente onde todos possam prosperar, protegendo os direitos dos autores sem impedir o desenvolvimento e a inovação.
#4. Responsabilidade na Utilização de Cópias e Direitos de Reprodução
Reconhecemos a necessidade de uma regulamentação justa e responsável no uso de fotocópias, que permita aos utilizadores o acesso a materiais de trabalho essenciais, sem violar os direitos dos autores e das editoras. Reivindicamos uma abordagem equilibrada, que garanta acesso e ao mesmo tempo proteja a produção original.
Evocamos a alínea f) do Nº2 do Artigo 75.º do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos para sustentar o recurso à utilização de fotocópias em contexto académico.
A utilização de fotocópias, quando necessária, deve ser feita com ética, atendendo às normas legais e protegendo sempre o direito autoral e a edição de materiais originais.
#5. Respeito pelos Direitos e Deveres dos Autores e Utilizadores
A música é um ecossistema de interdependência onde autores, intérpretes, editores e utilizadores devem actuar em sintonia e equilíbrio.
Propomos uma cultura de responsabilidade e compromisso, onde todos reconheçam os seus deveres e direitos permitindo alicerçar um crescimento sustentável e de uma valorização mútua.
#6. Entidades de Regulação: Questionamento e Reformulação
Defendemos que é essencial questionar a Inspeção-Geral das Atividades Culturais relativamente à atribuição de competências em entidades sobre as quais urge redefinir limites às suas ações, de acordo com o que está previsto na Lei.
Denunciamos a forma como a recém-criada entidade de gestão coletiva de direitos de autor e de direitos conexos se apresentou ao meio musical, a ilegitimidade da reivindicada representação de compositores e a postura persecutória que, de forma inaceitável, tentou impor tarifas desconexas que não refletem a realidade do setor musical e distantes das praticadas pelas entidades congéneres europeias.
Reiteramos que a atuação de uma entidade deve ser em prol do bem comum, com transparência, equilíbrio e sempre respeitando os limites das suas atribuições.
#7. Apoio a uma Plataforma Representativa do Setor
Reconhecemos e apoiamos um grupo de trabalho constituído para liderar este processo, verdadeiramente representativo do setor musical, e mandatado para interagir com todas as entidades, dialogar, negociar e realizar as ações necessárias para assegurar a justa proteção e valorização da classe musical, conduzindo este processo com ética, transparência em todas as démarches necessárias.
#8. União e Compromisso com o Futuro
Este movimento nasce da necessidade de transformação, e queremos que continue a representar uma força que promove a dignidade da nossa classe, pelo respeito aos nossos direitos e pelo futuro da música em Portugal.
O futuro do nosso setor depende do compromisso e da participação de todos, numa perspetiva de médio e longo prazo, para que continuemos a defender os interesses, direitos e valores que sustentam a nossa comunidade.
Convidamos todos a unirem-se a este movimento, fortalecendo a nossa voz, para que possamos, juntos, construir uma base sólida que assegure a defesa de uma regulamentação responsável do nosso setor, com uma visão de médio e longo prazo.
Juntos, podemos construir um meio musical mais justo, equilibrado e sustentável.
PRIMEIROS SUBSCRITORES
Alexandre Santos – Director Pedagógico da Escola Profissional de Música de Espinho
Ana Paula Russo – Soprano e Professora de Canto / EMCN
António Jorge Nogueira – Director do Festival Música Júnior
Augusto Trindade – Professor do Ensino Superior / ESART
Cândido Fernandes – Pianista
Carla Soares Barbosa – Directora da Escola Profissional Artística do Alto Minho
Carlos Pinto da Costa – Director Pedagógico da Escola de Música de Esposente
César Viana – Compositor
Diogo Costa – Maestro
Filipe Carlos Vieira – Diretor Geral da JOBRA e Professor de Composição / ESMAE
Francisco Ferreira – Diretor Pedagógico da Academia de Música de Costa Cabral
Francisco Santiago – Lisbon Film Orchestra
Gabriela Canavilhas – Pianista e Ex-Ministra da Cultura
Helena Lima – Adjunta da Direção da EMCN para a Orquestra Geração
João Merino – Barítono e Professor / Conservatório Regional de Artes do Montijo
João Paulo Santos – Pianista e Maestro
Liliana Leal – Diretora Pedagógica do Centro de Cultura Musical / ARTAVE
Luís Cardoso – Maestro e Compositor
Manuela Encarnação – Associação Portuguesa de Educação Musical
Martim Sousa Tavares – Maestro
Martinho Caetano – Presidente da Confederação Musical Portuguesa
Miguel Azguime – Compositor
Osvaldo Ferreira – Maestro
Paula de Castro Guimarães – Produtora Cultural
Paulo Lourenço – Professor Ensino Superior / ESML
Paulo Perfeito – Músico e Compositor
Pedro Carneiro – Maestro
Pedro Figueiredo – Compositor
Pedro Teixeira – Maestro e Professor do Ensino Superior / ESML
Ricardo Pinheiro – Professor do Ensino Superior / ESML
Sofia Escobar – Soprano
Vasco Pierce Azevedo – Maestro e Compositor
Vitor Mota – Orquestra Sinfónica Juvenil
ENTIDADES SUBSCRITORAS
ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes
AOSJSP | Associação das Orquestras Sinfónicas Juvenis Sistema Portugal
Associação de Directores Pedagógicos das Escolas do Ensino Artístico Especializado
Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo
Academia de Música de Viana do Castelo
Associação Portuguesa de Educação Musical
Banda Sinfónica Portuguesa
Confederação Musical Portuguesa
Coros Portugal – Associação Portuguesa de Música Coral
ENSEMBLE | Associação Portuguesa de Instituições de Ensino Artístico Especializado
Escola Profissional Artística do Alto Minho
Festival Música Júnior | Plano Criativo – Associação Cultural
Lisbon Film Orchestra
Orquestra de Câmara Portuguesa – Associação Cultural
Orquestra Filarmónica Portuguesa
Orquestra Sinfónica Juvenil
Orquestra Sinfonietta de Lisboa e Coro Ricercare | RICERCARE – Associação Musical
